HISTÓRIA DA VIRGEM DOS POBRES DE BANNEUX - BÉLGICA

 

 

Paroquiando

Informativo da Paróquia N. Sra. dos  Pobres

Com o apoio dos Padres Ressurreicionistas da

Paróquia Nossa Senhora dos Pobres em São Paulo – SP.

 

 

Essa obra é uma adaptação do original de autoria do Reitor Georg Jakob, Banneux, N.D referentes aos relatos da aparição da Virgem dos Pobres em Banneux, Bélgica em 1933. Também foram incorporados aos textos originais a versão de 1981 traduzida em português por Frei Pascoal Becker O.F.M. do Sitio Betânia, Mangabeiras, Maceió. Deste texto foram extraídas as novenas e orações finais. O texto original foi completado com todas as referências encontradas, que estavam de acordo com o relato original. Finalmente, é acrescentada a carta do Papa João Paulo II em ocasião da visita a Banneux em 1985.

1) Narração da Aparição da Virgem dos Pobres em Banneux N. D. em 1933

 

1.1) Aprovação pela Santa Sé

 

Banneux, pequena aldeia das Ardenas da Bélgica, foi escolhida no ano jubilar de 1933 por Maria Santíssima, a fim de se revelar aos homens.

 

No mês de janeiro de 1933, o Rev. Reitor Joaquim de Banneux pediu a algumas pessoas de confiança que em silêncio com ele fizessem uma novena à Mãe de Deus, a fim de alcançarem um sinal que provasse as Aparições de Beauraing, 1932, onde Maria Santíssima havia aparecido 33 vezes a cinco crianças. Beauraing fica situada em Famene, Bélgica.

 

A Novena terminaria no dia 16 de janeiro. E antes de completar os nove dias, o sinal já fôra dado. Doze dias depois que Nossa Senhora, ter mostrado seu coração de ouro e ter dito “Adeus” as crianças de Beauraing, Bélgica, ela fez sentir sua maternal presença outra vez em Banneux, Bélgica, umas cinqüenta milhas a noroeste.

 

Oito vezes a Santíssima Virgem apareceu a uma pobre criança, de uma família car­regada de filhos, porém afastada da religião. Marieta Beco, com onze anos de idade, era a filha mais velha, freqüentava irregularmente a igreja e a escola.

 

A devoção a Virgem dos Pobres foi aprovada pela igreja católica em 22 de agosto de 1949 e tem se propagado por todo o mundo desde então.

 

1.2) Situação geográfica

 

A Bélgica é um pequeno país situado ao norte da Europa, entre a França e a Alemanha. Banneux Notre-Dame era um pobre casario agrupado em torno de uma pequena igreja. Naquela época sequer aparecia nos mapas, encontrando-se a 25 km de Lieja, capital da província. Encontra-se em um pequeno platô das Ardenas Belgas, a uma altitude de 325 metros. E é rodeada pelos lindos Vales de Ambleve.

 

Na estrada de Louveigné, povoado próximo do qual depende a economia de Banneux, a um quilômetro da igreja, se encontra, à esquerda, a humilde casa da família Beco, em frente a ela há um pequeno bosque, figura 1. O lugar é úmido e pantanoso, por isso é chamado de "La Fagne", que significa o lodo. Do outro lado da estrada se encontram os grandes bosques de Eifel.

 

 

 

Figura 1 – Mapa de acesso a Banneux

1.3) A família Beco

 

Em 1933, a família Beco era composta pelo casal e por seus sete filhos. Mais tarde teriam quatro mais. Marieta Beco era a filha mais velha, nascida em uma sexta-feira dia 25 de março de 1921 (festa da Anunciação, que naquele ano coincidia com a Sexta-feira Santa). Contudo na casa da família Beco, figura 2, a religião não era praticada, e estavam influenciados pelas más correntes da época.

Figura 2 - Casa da família Beco em Banneux, Bélgica e foto da menina Marieta com o irmão

Era tempo da depressão e seu pai, Juliano Beco, era um trabalhador desempregado que fazia anos não assistia a Missa ou não se preocupava com a educação religiosa dos seus filhos. Tradicionalmente as mães são as que mais alimentam a vida cristã nos lares, mas a mãe da família Beco, Luiza, era também indiferente à religião.

 

A Marieta se considerava uma menina normal em todos os sentidos. Não era muito devota antes de sua experiência com a Virgem.

 

Influenciada pelo ambiente de sua casa, Marieta havia abandonado a catequese. E desde 29 de Outubro de 1932 perdera todo o contato com o padre local.

 

No entanto, tinha na cabeceira de sua cama uma imagem da Virgem Maria, guardava um Rosário que havia encontrado na estrada próximo de sua casa e que de vez em quando rezava antes de dormir.

 

1.4) A primeira aparição: Domingo, 15 de janeiro de 1933

A Virgem Santíssima convida a menina, com um gesto de sua mão, a se aproximar Dela.

 

O inverno de 1933 foi extremamente rigoroso. A neve e o gelo haviam invadido o lodo. Rajadas frias sopravam e passavam por todas as fissuras da casa da família Beco. Em uma noite escura, ao redor das sete da tarde, Marieta se sentou junto a janela na parte da frente da sua casa e enquanto cuidava de seu irmão bebê olhava para fora da casa. Em meio à escuridão, buscava algum sinal de seu irmão Julian, que havia saído e tardava a regressar.

 

A noite escura, fria e cheia de neve. De repente, Marieta notou ao lado direito do jardim da casa, uma senhora bem iluminada.

Marieta descreve a Virgem dos Pobres, enquanto a contemplava, dizendo:

"Éra tão bela... tinha um rosto tão formoso, com um bonito tom rosado nas bochechas (como também às vezes tenho eu), um rosto delicado, tão jovem, com um pequeno nariz muito fino; parecia uma jovenzinha de 18 ou 19 anos..."

 

A senhora tinha pouca estatura, ao redor de 1,5 m. Marieta nunca havia visto antes nada tão bonito. Não se vestia como as senhoras da aldeia uma vez que usava um vestido largo e branco com uma faixa azul. Era possível ver um de seus pés. Estava descalça, com somente uma rosa de ouro sobre os dedos de um dos pés. Pelo frio ela devia estar congelando. Então Marieta se deu conta de que ela estava elevada sobre a terra, parada, como em uma nuvem. Não parecia ter nenhum frio, figura 3. Marieta continua a descrição:

 

"Ela tinha um vestido branco como a neve, que sobe até o pescoço. E pela cintura passa-lhe uma faixa azul, duas pontas caem pela frente do vestido. A cabeça está coberta pelo véu, que lhe cobre também os ombros e os braços. O pé direito está descoberto, onde repousa uma rosa de ouro. No braço direito está pendurado um rosário. A Virgem olha para mim sorrindo".

Figura 3 - Imagem da Virgem dos Pobres segundo a descrição da menina Marieta

A senhora estava próxima do bosque, era muito luminosa, estava de pé, imóvel, ligeiramente inclinada para a esquerda.

 

Ela relata: “Vi uma luz e uma formosa senhora que tinha uma cabeça muito iluminada, como se a luz fosse irradiada de seu corpo. Tive medo”.

 

Marieta, com cerca de 11 anos, tinha uma mente muito lógica. Não podia compreender a cena que tinha aos seus olhos:

 

"Perguntei-me: O que é isso? Olhei com atenção, movendo a cabeça da direita para a esquerda e de cima para baixo; pensei: quem sabe é um reflexo da lâmpada. Então, eu a pus do outro lado da mesa".

 

Já não havia dúvida. No jardim havia uma formosa senhora. A menina assustou-se e deu um grito: Mamãe! Mamãe! Uma Senhora está no jardim.

 

"Então, tive medo e chamei: Mamãe, Deus meu, Mamãe! Há uma dama no jardim, está muito bem vestida, muito elegante”.

 

Sua mãe, aborrecida, lhe disse:

 

-"Deixa-me em paz menina. È sua imaginação”.

 

Marieta continua a olhar com muita atenção e observa à formosa dama dos pés a cabeça. A senhora está um pouco inclinada, com as mãos postas e com uma grande aureola de luz que a rodeava.

 

-"Deus meu! Mamãe! Parece que é a Virgem Santíssima".

 

Sua mãe lhe respondeu ironicamente: "Claro, talvez seja a Santíssima Virgem".

 

A senhora Beco, sabia, contudo, que sua filha não falava dessas coisas. Havia três meses que não colocava o pé na igreja. Devia estar com febre...

 

A menina, contudo, insistiu que sua mãe fosse até a janela para ver por si mesma. Depois de muita insistência, mas se sentido como uma tola, Louise foi até a janela, levantou a cortina e olhou para fora. De fato, por um momento vê algo, como uma silhueta luminosa de uma senhora envolta em um véu, porém não pode distinguir claramente a figura. Atemorizada, se afasta da janela e diz sorrindo a menina enquanto fechava a janela: “Deve ser uma feitiçaria”.

 

Marieta não desiste:

 

-"Mamãe, te digo que é a Virgem... Sorriu-me! Que bonita que ela é!”.

 

A menina então notou que a Senhora tinha um rosário junto a faixa azul. A cruz era da mesma cor de ouro que a rosa que estava sobre seu pé.

 

Marieta foi até a gaveta e buscou um rosário que havia encontrado na rua de Tancremont e começou a rezar enquanto contemplava a aparição maravilhada.

 

Os lábios da Senhora se moviam, mas ela não dizia nada que Marieta pudesse ouvir. A menina tinha o coração cativado pelo doce sorriso da Virgem. Depois de umas poucas dezenas, a Senhora levantou sua mão direita e acenou para Marieta pedindo que saísse. A jovem disse a sua mãe que a Senhora quer falar-lhe e pediu permissão para sair.

 

A mãe crendo que fosse uma feitiçaria, se opõe e fecha a porta com a chave. Marieta então se volta para a janela, porém a Virgem já havia desaparecido. A menina então se põe a rezar um pouco mais.

 

Marieta não conseguia tirar a visão de sua mente. Continuou voltando a janela para ver se a bela senhora havia voltado, mas não voltou. Logo em seguida o seu irmão Julien chegou em casa. Ela contou-lhe o que acontecera e a reação do garoto foi igual à de sua mãe sendo ainda mais bruta. Os comentários variaram de “Você é uma boba” a “Você está louca”. Desse modo, rejeitada e só depois do encontro com a Virgem, Marieta foi dormir.